sexta-feira, 29 de julho de 2011

Rejunte

Eu e o Louzada (entende-se: Eurico Louzada), estávamos andando pela São Bento, conversando sobre vento, passos, mosaicos, paredes, azulejos e caímos no assunto do rejunte, não sei porque, como nunca se sabe porque às vezes falamos sobre certas coisas com nossos amigos ou conhecidos. Louzada, como era dele, somente começou a falar com as sobrancelhas mais vergadas por causa do seu tom de seriedade impulsiva e com aquela profundidade na voz, que era comum dele. Na verdade, todo assunto era profundo. Bem, no meio da conversa, na minha infantilidade aguda de não querer levar à sério nenhum tema com relação "a vida" já que tudo era lincado e absurdamente relacionado "ao viver", ele suspirou profundamente mexendo a borda da grande narina, herança italiana juntamente com seu cabelo vermelho e parcialmente enrolado e disse quase escarrando: "Re-junte-se". Não entendi o sentido, afinal, demoro muito para atingir a profundidade de suas palavras, ainda mais lançadas assim, na calçada, numa conversa que era pra ser somente uma companhia para a caminhada. 
Depois dessa conversa, quando entro no banheiro, principalmente nele, quando fico sentado meditando ou tomando banho e vejo um rejunte, só penso em sua furiosidade mussoliniana e no conceito de que ele quis dizer que eu sou muito espalhado, um garoto espraiado. 

(o rejunte serve para manter a distância segura entre dois azulejos? eu sou o quê? somente um azulejo? o qu'ele quis dizer?)

enquanto isso reverbera: RE-JUNTE-SE 

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