segunda-feira, 25 de julho de 2011

sólito



Marpês. Bicho do mato.

Achei-o no inverno, quando o vento lhe cortava as fuças. Ali perto da casa de arame onde o ferreiro dobrava mais um ferro para marcar a consciência de sua incrível e ignorante clientela. Marpês, de pelo em riste, viu-me. Apressou-se em acomodar-se como qualquer ser humano usual, sólito em habito e costume comum. Valha-me, nem o mato o aceitava com seu jeito. O vento porém, não perdoa ninguém, nem aquilo que é indefinido, nem aquilo que o espeto de ferro do ferreiro que mora perto do mato não pode marcar. Marca-lho-ei, fazendo dele o meu coração, pois vejo tanto de mim nele, nesse Marpês, estranho e característico, de quem por dia se sente assim, sem saber o que ser e sem que outros ainda mais saibam o que se é de si. 


Eurico Louzada

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