segunda-feira, 15 de agosto de 2011

É ainda um método para aguardar os dias passarem.




Analisando de perto os transeuntes do centro, percebi quase que sem vontade de perceber, uma certa melancolia de uma certa praça. Na Adélia Prado existe um canteiro, pequeno, estreito, feito somente para proteger a árvore, mas as pessoas vão lá se sentar e a maioria fica cabisbaixa, calada, sonegando ou meditando sobre os segundos da vida. Dia após dia, andei pelo centro, observando essas pessoas-não-pessoas, jardim do canteiro, jardim humano, mutável toda hora, flores com pés, cabeças, braços e celulares, cigarros, batons, jornais, revistas, livros, lanches e sacolas. Tudo o que se senta no canteiro, torna-se canteiro. Pessoas-canteiro. A utilização dos bancos urbanos.  Só uma pessoa cheia de si, ou completamente fora de si, sentaria naquilo que não é um banco. 

Eurico Louzada

2 comentários:

  1. droga seria não apresentar-se com nome. droga é resumir-se a escrever uma frase com três palavras, sem justificação, mas como esse espaço é para "comentários", fique à vontade em escrever qualquer "droga" por aí.

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