conversa comigo. eu diria tanta coisa sem nexo. eu diria tanto assunto sem pé, tronco, cabeça, sem começo, meio e fim, eu só diria. e tu com tua forma rígida de viver aos pés das realidade, escutarias os devaneios e os sonhos meus, que não são lá grande coisa, são só um método simples de escapar-me. porque são estes teus olhos. estes teus olhos que nunca quis que fossem os meus olhos pois assim não seriam belos. os olhos. entre uma dança e outra da realidade, a dança dos golpes secos nas paredes, no papel. liguei para o Eurico Louzada para confessar-lhe esse meu desejo de explodir o mundo, romper com a sociedade e inebriar-me à sombra de uma árvore centenária com a tua respiração. o Eurico, com todo seu equilíbrio, me disse com sua voz quase sumindo: "dá pra ver que isso vai te afundar os olhos". nesse tempo, uma amiga me manda um e-mail dizendo que está namorando e eu quase choro de alegria, porque ela está bem, esta feliz, e parece que esta navegando no mar do amor. o Tomás Virgílio até escreveu uma coisa sobre isso:
Eis que o barco desencalha e volta ao grande mar,
para navegar nas águas desconhecidas do amor,
para levantar o mastro do amor outrora caído,
e entregar ao vento suas velas de esperança.
Avante! Avante!
Que um redemoinho nos trague!
Deixa eu me aprofundar nos olhos disso,
Disso que não conheço!
Não darei importância as tormentas,
Quero ir de encontro a elas,
para confiar na profundidade das águas
caso meu barco se arrebentar nas ondas.
Avante! Avante!
Que não haja borda ou praia do outro lado,
que ninguém ouse atracar,
nessas águas do amor o ideal é morrer navegando.
mediante esse capítulo exaustivo do renovo, e a ausência dos grandes olhos verdes daquele que me ensinou os primeiros acordes da vida, tento empreender um caminho saudoso e saudável, procurando arriscar-me, porque pra quem já perdeu tudo, nada custa perder o que não se tem. e saber que sou Tomás e sou Eurico. tenho a impressão de não ser "eu".
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