sábado, 13 de agosto de 2011

"uma pedra bruta..."

já me cansei de escrever sobre o perto/longe. mas não dá pra não escrever sobre a irrelevância disso diante da realidade. é a morte querer estar perto e na verdade estar longe. enquanto eu escrevia a quatro meses e meio atrás para a distância em si, eu vivia nesse impasse de estar perto e estar longe. mas passou. agora, diante de uma janela modernista, com um vasto rasgo na minha fachada de um humano ruim, estou enxergando as coisas com outro tato, diferente do que o normal e de novo pedi um conselho ao Eurico Louzada e este me veio com um papo de paixão racionalista. "veja lá, hoje não estou num dia muito bom pra dar conselho, na verdade, você é que deveria me ouvir e depois elaborar uma solução para um impasse que estou vivendo com uma mulher..." nessa hora, do outro lado da linha, dava para ouvir o Eurico coçando o nariz, do jeito que faz quando está numa situação 'incômoda'. então fui eu que fiquei impressionado pela audácia do meu amigo, se derretendo à distância por uma mulher. Eurico é um observador fatídico, mais pessimista que o normal nos homens velhos, já adiantados no tempo. quando você ouve de uma pessoa dessas que "está com um impasse de coração", no minimo você se impressiona depois de saber que isso não é uma brincadeira fatídica. e coube a mim, este ser já pressionado pela leviandade dos passos alheios, dar um conselho, mas como todo bom curioso perguntei qual era o nome da pessoa que ocupava sua cabeça. "é uma pedra bruta..." e desligou. fiquei tentando visualizar a incoerência do Eurico, pois nem me deu tempo para pensar em algum conselho, na verdade ele não me contou o que exatamente sucedia, só me falou sua descrição mais próxima e eu sentado no sofá, com o telefone ainda na mão me permiti a alongar os lábios em um breve sorriso, dizendo pra mim mesmo: "uma pedra bruta...". 

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