
Algumas ilustrações que tenho feito o pessoal comenta dizendo "puxa, que fofo", outras se resumem a dizer "o que isso significa?", outras resumem "você não enjoa de fazer ondas?". Na verdade isso é um processo de descanso e também um processo de descaso. Esses desenhos inglórios, desenhados nos cadernos tem-se tornado um método de organização da memória. Na verdade é coisa minha, não rabisco somente por rabiscar, na verdade, só desenho quando realmente quero desenhar, diferentemente do meu impeto descontrolado por escrever. É interessante entender que quando temos algum veículo de desprendimento da realidade, nós podemos descobrir inúmeras coisas passeando nesse veiculo. Os círculos, espirais, nuvens, ondas, desenhados por mim já acompanharam certos trajetos da minha vida, comecei a realmente estudar essas formas porque a mulher que eu chamo de chica, se interessou e gostou. E eu, na época, inundado de completa paixão varonil que depois entendi que era uma simples e pura faceta do amor altruísta, decidi em agrada-la com essas ilustrações.
Já é passado, mas os desenhos estão supurando, voltando à tona, agora por causa desse descaso com o tempo, com a matéria da aula, com a reunião entendiante, com o céu, o almoço, o lanche. Debrucei-me novamente a voltar a um ponto, descer as escadas, procurar um ponto de partida, esse labirinto circular, o furacão planificado. Isso tem gerado um universo ideológico vasto, um aprofundamento com o entorno e comigo mesmo, um ciclo de aparecer e sumir. É tão bom achar algo que nos faça estar fora de nós mesmos, mas ao mesmo tempo, sentir que somos nós. Esse experiência só se realiza quando fazemos coisas simples, mas com a bagagem, a bagagem do conhecimento do momento, da ação e do gesto.
algumas outras ilustrações
algumas outras ilustrações
0 comentários:
Postar um comentário