quarta-feira, 21 de setembro de 2011

vinte e um do nove de dois mil e dois "um"



ela me fala das noticias corriqueiras, com aquela naturalidade quase alentejana, que vai além de muito porém e reticências. como se eu fosse resistente a essas coisas que se repetem, se expandem, se exemplificam. pequenas narrativas diurnas, noturnas, citadinas ou campais, que no fundo são a mesma coisa: o tempo que corre e ocorre. mas, não sou mais eu mesmo. percebes? não percebes. 
não percebes porque é bom escapar pela tangente da responsabilidade, da culpa que te cabe, do tempo que te coube, dessa consequência do "estar feliz" e do "viver em silêncio". a cidade não é a mesma pra mim. a noite não é a mesma pra mim. lindo inverno, não? ah, já isso passa. é fácil estar fácil, se aceitar, afeitar-se, maquiar-se, enfim, vestir-se, fingir que se vive bem, e quem sabe, dá pra se viver bem. o suficiente: viver. o que cabe a mim é esse desprezo do telefone, das horas vagas, das paredes frias onde prego os quadros com uma tal frieza que me é desconhecida, mas faz parte de mim. a cidade que pisastes ao meu lado, continua a mesma. conti-nua, com ti nua. valha-me os trocadilhos, cacofonices, diástoles entre outros. 

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