comprei um caderno amarelo à tempos. já rabisquei algumas frases. agora já sei que não tenho tanto tempo para escrever como antes. acelerado. no que diz respeito a mim e à mim, digo-te que tenho pressa. não pressa de estar e sim de ser. pressa de te ver como me lês, prévio e sim, resumido ao sumiço desse trabalho agudo. não esboças o conjunto de boca, dentes, língua. não queres mais virar o tronco para ver-me como quem vê algum sonho ser realizado.
comparações, eu sei.
milhares de coisas boas. coisas boas que imaginei, quando deitado vi o efeito da bebedice de realidade se exaurir e aniquilado, enxergar nos meus olhos o passado tão presente. não sou pra ti, eu sei. nem mesmo escutando the dress looks nice on you, nem mesmo lendo alguma coisa de narrativas enviesadas, nem tentando desocupando a mente com as preocupações de amanhã, como se fosse uma via injusta e burra de escape. mas e daí? não me interessa se vou conseguir de tal modo fazer as coisas, mas sim pelo menos adquirir uma vontade de continuar absorvendo o exterior de modo e jeitos diferentes, com vontade ou sem vontade, à pesar dessa longa lembrança, Filipe, de ser você um pobre homem saudoso de si mesmo.
sei disso.
houve uma certa peregrinação absurda, de realidade e retidão, de persuasão, encontro com a memória, desacordo com os braços que não se permitiam abraçar. a grande merda de ser humano e não ter ação perante certas coisas. então vendo-me assim, sendo eu e você à quem falo, me refiro e sinto pena, e a todo o exterior, que está ai tão desconectado e cheio de seus problemas, bem, resta-me escrever mais um punhado de frases para manter a rotina e fazer-me de chateado com o cotidiano. haja caderno amarelo.
a descoberta.
Eu também já passei pela fase dos cadernos, amarelos, azuis,etc.
ResponderExcluirO caderno é uma amigo apaixonante, pelo menos foi para mim, na década de 60/70.
Depois vieram as publicações em livros e sonhos realizados.
Um grande abraço