sábado, 10 de dezembro de 2011

Não é um diário de bordo - I

Lembrar o que se tem que levar, quando na verdade, não se quer levar nada e ter um bolso descolado para repartir as moedinhas doradas nas lojas de inverno, com roupas especiais para isso. Mas não é o meu caso, e vocês sabem disso, afinal, parece que vivo carregado. E foi está mesma bagagem mental e física que me pararam, conto-vos mais à frente esta minha experiência. Mas não viajei bem de São Paulo para Roma. Só tinha Coliseu (velhos) no avião e maioria deles roncavam feitos potros doidos... eu poderia escrever detalhadamente quantas e quais foram as vezes que o cidadão do meu lado no banco se levantou para soltar a criança na "casa de banho". Quando cheguei a Roma, tive meu visto no passaporte, e celebrei do jeito mais anti-saudável que existe, mas antes olhei para o céu que amanhecia e lembrei que nem eu era real se não fosse essa mão guia que conspirava para o meu bem. Fui ao Centro de Roma, comprei com dor no coração um bilhete para aqueles Bus Tour descobertos, e fui tiritando de frio com cinco espanhóis, sete italianos, dois franceses (lua de mel), quatro alemães e três bolivianos. Isso mesmo, B-O-L-I-V-I-A-N-O-S, desses com as flautinhas e tudo. Lembrei-me do Ruy, e de minha intervenção artística em pleno Rio. Assim que cheguei no Coliseu, ali fiquei durante o dia, já que meu voo de conexão seria só no principio da noite. Neste espaço eu colocaria um número especial de fotografias, aliadas a algumas pequenas notas de saudades, pensando no Roskin e no Le-Duc, vendo aplicados as intervenções urbanas, a escala monumental, e esses meus pequenos olhos de turista. Andei tanto em pouco tempo, que no final de cinco horas eu já voltava para o aeroporto podre de cansaço, mas antes conheci Roma por inteiro por causa do Bus Tour que apanhei. Ainda quero voltar lá e ver novamente tudo e com o um mês. Em direção a Lisboa, comprei cadernos recicláveis, lindos, simples. Antes de subir ao avião, comprei a revista casabella, e pronto, minha rotina comercial acabou. Não escrevi que comi, e isso é verdade. Eu começava a ter um nó no estômago... mas só em Lisboa eu iria devorar uns belos bifes no jantar.  O avião nem tinha partido e eu já dormia. Fui acordar na hora do lanche, e depois voltei a dormir. Cheguei em Lisboa e seis graus faziam. Ótimo. Busquei minhas malas e quando fui passar pela  alfândega, um português com cara de gato-de-botas me parou e disse "a esta sala por favor" e eu pensei "de volta ao Brasil". Ele revistou tudo, tudo, abriu todos os presentes, ficou encucado com uma lata de brigadeiro, abriu a lata, pesou-a, revirou tudo o que minha mãe tinha organizado. Uma merda. Só depois de muito tempo fui liberado, com todas as coisas desorganizadas, e encontrei a minha amiga, que a tanto tempo não via e o abraço durou mais tempo que eu pensava, assim como durei mais tempo para voltar para cá do que eu gostaria. Contei-lhe muito. Fui recepcionado muito bem pela sua família, e naquele dia dormi, sem ver os e-mails, sem ânimo para nada, sabendo que eu deveria trabalhar e salvar uma meia-dúzia de pessoas, quando eu sei que elas, em sua maioria, não fariam o mesmo por mim. Adormeci como quem cumpriu a missão e não quer saber da vida-real. Começava uma coceira no olho direito, mas não dei-lhe importância. A cama era o meu objetivo. 

4 comentários:

  1. Vou te seguindo nessa viagem, transformando suas palavras em fotografia e experimentando um pouco da sua companhia distante.

    Sérgio

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  2. Ótimo seu texto! E responde minha pergunta, rsrsrs. Eu te liguei outro dia para dar tchau, mas seu telefone estava fora do ar. Tenha uma boa viagem e vou te acompanhado...

    Cris

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  3. Bolívia... ô terra abençoada. Foi ali que o Criador planejou meu encontro romântico que deu em casamento e dois filhos.
    Mãe

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  4. Fi, aproveita b e m...vários vão ser os lugares onde v. vai querer voltar. Trabalhe só o suficiente, não vá além dessa vez. Quanto ao frio... já era previsto, antes assim do que aquele calor insuportável bjs bjs e bjs Ester

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