Quem lê pensa porque gasto tempo com isto enquanto deveria "estar conhecendo a Europa". Eu consigo conhecer melhor, pensando nela e imaginando-a do meu modo, mesmo quando tento me desvencilhar de todos os empecilhos que minha tosse e a coceira do olho direito tem me dado, pois piorou. Digo-vos que parar de onde parei no texto um, vai ser uma tentativa de reforçar a lembrança. Depois de dormir minha primeira noite em Lisboa, debaixo de uma camada espessa de cobertas, e por graças divinas, dormi direto e só acordei quando Joana chamou-me. Depois de um pequeno café da manhã em meio a lembranças de Évora, acompanhei-a a à Faculdade e assisti uma aula de Cinema na Lusófona. Conheci tanta gente, que no final das aulas eu já tinha uma carta de estudantes de cinema esplendida, fora que meu gosto por cinema se reforçou de um modo conquistador.
Após a aula, fomos ao Chiado, comprar filmes para as máquinas, comer um sushi, e trocar dinheiro. Não vou escrever o que meus dedos mandam, afinal, os leitores menos compenetrados, vão se escandalizar com a sinceridade de minhas digitais, e logo mais irão me encher de broncas, brocas, e perfuraram minha consciência, já está que está tão banalizada (teoria da Joana para um bom argumento teatral).
No final da tarde, quando já voltávamos para casa, descobri por causa da maldita internet que haveria trabalho e era trabalho urgente. mas hoje escrevo no dia do arquiteto sabendo que sou arquiteto apesar do arrepio de ajudar a merda de minha profissão a ficar pior ainda, e não sou ético, só quero ser professor... bom, utopias de uma sociedade que acha justo ser deixado para trás por causa da falta de vontade de superar-se.
Trabalhei na Europa e matei-me. A coceira aumentou, o pulmão chiou e só tive um ataque de nervos por causa do orgulho azedo de certos "patrões temporários". Pois o arquiteto quase é uma puta de seus clientes que imaginam em suas cabeças, mais não sabem escrever o que pensam e ainda por cima o escrevem com um português nojento. No final, eu também respondia os e-mails assim... derretendo-me em nervosismo de não conseguir salvar o mundo novamente.
Joana ficou estupefata. Era para que saíssemos para o hard Rock de Lisboa à noite, e eu tinha que trabalhar, mas lá pelas tantas saímos para tomar um wisky e um café só para ver a praça dos restauradores nublada, com os feixes de luz se dissiparem pelo ar e pelo brilhante mosaico português úmido.
Repousei pesado aquela noite, querendo golpear a realidade. Ainda haveria mais trabalho.... no sábado almocei com a família preciosa que me recepcionou e depois apanhei o ônibus a Vila Nova de Santo André. Entre cochilos e leituras, vi a paisagem se repetir como no passado se repetiam. Eu conhecia aquela estrada e o cheiro se repetiu assim como as saudades do Porto num distante inverno anterior. Droga. Portugal piora as melancolias, mas ver a todos de Santo André, receberem-me de braços abertos, quase me encheu de lágrimas e senti que toda melancolia faz bem. Abrir os presentes, descarregar o que veio do outro lado do oceano, ver a igreja da qual participei mesmo sendo tão sujo como banheiro de boteco, lembrar na banda, e os meninos que já estão a tocar muito bem, desde bateria até guitarra e pensar que minha família faz parte desta historia, tudo isso me enche de alegria... mas infelizmente, a rotina do dinheiro para pagar as contas me força a trabalhar em pleno domingo... mas antes escrevo, pelo menos tenho que me permitir este vício "cristão".
peço que escreva o que mandam tuas digitais, por mais que alguns se sintam escandalizados. sente-se as coisas apenas uma vez, não meça palavras.
ResponderExcluirpedra (?)
Força filhão! Ler as tuas melancolias e os teus desafios, nos fortalecem para os nossos! Saudades!
ResponderExcluirMuito bom mesmo!! Abraco dum aluno da Lusófona.....(poppers man)
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