Desculpem-me. Reservo-me um pouco da internet pois ela tem me dado um pouco de náusea. apenas vivo para as minhas memórias que agora se tornam tão rubras como o sangue. Évora e seu instinto de revelar-me o que fui e o que agora tenho me tornado. Não há mias trabalho, somente uma constante despedida dos lugares por onde passo. Assim que cheguei à Praça do Giraldo, parecia que naquela manhã com pouco sol, tudo era só um sonho nublado, daqueles em que não sabemos onde estamos mas no entanto estamos confortáveis.
Rever aqueles que não se esqueceram de mim e dar um abraço que deixa o tempo parecer mirrado perante esse oceano de saudades precisas, de lugares marcados, de resmungos trocados e olhares dissipados no espaço tempo. Lembrar da Rua do Raimundo, do autêntico trânsito alentejano, dos cafés e os imensos ateliês de arquitetura, as maquetes gigantes, e poder mesmo no meu tempo de férias sentar e ajudar, conhecer, rabiscar mais projetos, criar uma parceria que vai me render conquistas ano que vêm. Tudo reforça a minha batalha que agora levo pela ética, já que minha consciência nesta viagem está se dissipando e desmanchando, tornando às raízes da inocência. A arquitetura pela arquitetura.
Poder jantar e beber um bom vinho e depois cantar umas tres horas diretas com a mulher com nome de flor, foi pra mim um revogar da existência, um grito na insalubridade, uma diáspora dessa minha população neural. Mesmo escrevendo tudo errado me sinto realizado em descrever à través de sucintas montagens de frases algo que ainda vai ficar marcado. E minha tese está a ganhar força, notoriedade dentro de mim, vou arregaçar esse raciocínio, mesmo sendo um um menino de princípios desconstruídos. Estou feliz em poder fingir que isto nunca vai acabar, mesmo sabendo que no fundo acaba, e na pior maneira possível.
Ando e ando. Canto nesses cantos medievais. Bebo todos os cafés possíveis para ficar tão acordado para que a volta não me faça regredir! Hoje ainda tenho uma janta, uns copos, umas risadas e uma sobremesa pra fazer. Amanhã nem sei o que me reserva mas seja o que for, hoje a vida poderia terminar, estou num estado de tanta indiferença que estou feliz por essa indiferença me fazer sorrir e querer continuar a viver no balanço, como se minha estrutura corporal e mental não fosse querer ficar "fixa" mas em movimento. E aqueles meus companheiros brasileiros que se formam digo-lhes parabéns. Agora é não construir merda, pois "se formar" é uma mentira berrante. Só se forma quem morre, e se forma presunto. O conhecimento não se forma, é preciso ser sempre embrião para querer aprender um dia a caminhar como se deve.
(quanta asneira escrevo)
Salve salve...o dia em que você fez contato real com a experiência e essa possibilidade mágica de narrá-la com codificações literárias...Grato!!!
ResponderExcluirSérgio Dantas