quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Não é um diário de bordo - IV

Aqui o vinho mais comum é a realidade. Todos dizem que tudo continua igual e nada se muda, mas eu percebo mudança. Percebo a profundidade das rugas, a transfiguração por causa do mal humor, o animo falho, e até o cheiro de certo tempero mudou. Pode ser que tenha mudado pra mim e eu que esteja nesse processo enigmático de admissão da realidade. Este vinho que se serve em copos de pedra para não vermos o que realmente há ali, é o vinho que mistura tudo o que passamos e existimos, os caminhos, as entradas, as saídas e os espaços "vácuo" onde não nos lembramos de nada, seja por falta de vontade ou seja contra a vontade.
Ontem fiz brigadeiro, os italianos de Catanha, ficaram surpresos. Também fizemos um jantar maravilhoso, com a precisão do Raimundo. Burritos. Uma mania começou a se espalhar por aqui e hoje vamos sair para fotografar somente com câmeras de filme. Maravilhoso. Nem vou tomar banho já que minha filosofia de esquecer da vida quando entro no chuveiro fervente, já me fez perder quase duas horas ontem. Desculpem o resumo, mas é que ando preocupado com as ultimas 7 horas que tenho que passar aqui em Évora. Tenho medo de me desintegrar em lágrimas e ver-me ir em bora à beira do passeio em pedra. Pelo menos eu teria um motivo mais do que palpável para perceber que aqui em Évora, também tenho amigos que vou fazer questão de visitar até o dia em que meu sangue trave por causa das impurezas ou decida descansar por causa da bebida não filtrada. Haja coração que aguente tanta taça do vinho da realidade. 

1 comentários:

  1. Estou no seu rastro de memórias e saudades...
    Sérgio

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