Não é de hoje que passo meus natais um pouco mais solitário que o normal.
No ano passado não foi assim, eu passei feliz, empolgado, com a pessoa que amava. E fez-se o desamor ou coisa parecida. Mas antes de falar de outras melancolias e surdezas, lembro-me que saí da Alemanha pensando que poderia dar tudo errado para o final da viagem e eu ficasse vagando de uma pais ao outro, mendigando cultura, texto e aprendizado. Mas não, impressionantemente quase tudo deu certo. A unica coisa mais louca que aconteceu for eu ter tudo a sorte de vim no pior trem, o regional, que demorou seis horas quase para chegar em Lisboa, vindo do Porto. Trabalhadores rurais, entravam e desciam, tive que dormir naqueles bancos desconfortáveis, mas mesmo assim, fechei os olhos tentando sonhar e numa das ultimas paradas, sonhei mais do que desejava, mas desse sonho não me lembro... Peguei um taxi novamente para meu forte provisório, acordei a Joana e depois fui cochilar um breve sono, pois naquele mesmo dia eu iria passar a noite em Paris, sem dormir e a tirar fotos noturnas dos grandes ícones. Não posso remediar a dor no coração de me afastar de minha pequena irmã Joana, mesmo vendo que ela ainda não aprendeu a cozinhar muito bem, mas isso é só um detalhe, já que quero sempre trazer uma receita nova, nada demais, para que as coisas não fiquem "sem sal". Chamamos e taxi e assim que ele chegou eu não soube como me despedir e olhe que sou ótimo em despedir-me das coisas. Esta é uma dessas cenas que se descrevem em um filme inteiro, com uma narrativa não linear, mostrando com efusão a prioridade de cada músculo para se contorcer e dar um abraço. Aqui acontece o desmanche de cada intenção, os nervos não enviam uma mensagem precisa. Entrei no taxi mareado e chegando no aeroporto sozinho, chamei o fumo de volta, para fechar minha visão e me deixar sem parâmetros mesmo que seja por pouco tempo. Partia para Paris, me encontrar com os amigos, uma família imensa e feliz, que renova as forças e após uma janta farta, com queijo, favas, vinho, salmão e um montão de outras coisas, perna na rua. Paris à noite, à meia-noite e de madrugada. Depois avião para Roma, em sossego, descaso com a aparência, compra de bilhete ao centro e só mais seis horas antes de voltar a São Paulo. A estação de Triburta, uma coisa sensacional! Depois trocar uma nota de 10 dólares e pagar três euros pelo serviço? Estação de Termini e volta para o aeroporto. Depois São Paulo. Não estou com vontade de escrever, escrevo as pressas, e daí? É natal e estou escrevendo sobre uma coisa que já passou. Gostaria de escrever sobre tantas outras coisas e me atenho que não posso perder o fio da meada. Não estou feliz hoje, não tanto quanto eu esperava. Tenho saudades mais do que necessárias, de coisas que não deveriam me dar essa vontade de querer voltar atrás.
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