segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Esta é a minha história.








Do nada me pediram para contar "a minha história", como se ela fosse de certo modo interessante ou se ela tivesse alguma coisa "extraordinária", a não ser minhas "íntimas" revelações de ódios e desfavores, de espinhos da carne ou espinhos da imaginação...
Foi bom poder falar da arte como eu vejo, sendo ela esse peso desmensurável, esse prazer coeso, um constante estudo disto que chamados de vida. 
A minha história ainda é escrita, como uma folha em branco, entregue a mim por Deus e sou eu que decido o que fazer com ela e repito novamente o que disse, não sou totalmente dependente dEle e é nisso que eu trabalho, uma total entrega, mesmo que isso me custe as vontades interiores, os sonos de madrugada, as febres e inconstâncias de ideais e sonhos. A arte me faz ver que sou ainda humano, apesar do sufoco de saber que minha juventude é gasta muitas vezes em egoísmo, em satisfazer vontades irrisórias, não que a vontade não tenha valor, é ai o ponto, a vontade pode ser algo encaminhado para me fazer sentir bem e não me trazer um sentimento de nojo e desprezo pelo mundo. A minha vontade pode ser fracionada, dispersa e pode ser arte, arte vinda dos céus (aqui se escuta uma negra bem grande cantando "OHHHHH!!!!") uma linguagem de mostrar aos outros que ainda tenho algum sentido, mesmo que imperfeito. 
Isso é ser igreja, sem placa, tapete ou lençol de dança. Isso é ser mais do que se pode ser. Talvez tenho essa motivação de não viver em facetas, como se fosse um octaedro (Cortázar que o diga, tem até um livro dele com esse nome) e entenda-se motivação, não como uma palavra base para livro de auto-ajuda, mas sim como uma prerrogativa para não mais escorregar em merda ou casca de banana alheia (?). 
E como botar a cara à tapa, para que as razões do mundo possam golpear minha infeliz razão de ser ? Isto é que pode ser uma igreja humana... o assunto é fresco então o texto não pode ser completo.  


P.S. Igreja Batista Maanaim me acolheu com o meu violãozinho, com esfiha, guaraná e altos papos sobre calvinismo, calvície, música contemporânea e risadas literárias ou não. Foi bom estar numa igreja e me sentir num boteco, à vontade. 


-Fotos da Juliana Ravagnani

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