quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

vicissitudes do meu amor por você - Parágrafo Primeiro

como eu poderia te ajudar? somas melaninas na pele do coração, pelo nos lábios, nascem-te outros joelhos, dobras-te demais. és tão articulado quanto um texto de jornalista ferrenho, não do estado nem da época, mas de qualquer outro artigo jornalesco que até se torna putresco. liquidificas aquilo que não pode entrar em saldão  ou em promoção quinzenal, mensal, semestral, anual. passa inverno, deita chuva, sobe a chuva em vapor, vai pro mar, pro rio, pra's bocas, gargantas, ainda continuas tão articulado, cabendo em todo lugar, em qualquer metro quadrado, em cada espaço linear, és quase dois planos e a profundidade em ti está quase sumindo.  escalas estas paredes de assombros, como se fosses um quadro e não mais uma escultura sepulcral do brecheret, nem ao menos és esférico como as mulheres do botero, não mudas de direção, és apenas articulado. onde te colocam, te forçam, te espremes, ali ficas, tomando parte, sendo aquilo. articulado.  levemente imparcial, uma tarefa que nunca se executa por falta de ser uma tarefa exequível. enfiado em qualquer errônea gramática, nas sombras de versos imorais que falam sobre a vida cheia de paz, inerte a qualquer mal contemporâneo. mas sobra-te a tua língua articulada, que te fere como navalha quando queres sentir apenas algum tipo de sensação para as coisas. no final de cada saída tua imposta pelo exterior, te pergunto sempre com meu faro medicinal: como eu poderia te ajudar?

Eurico Louzada

0 comentários:

Postar um comentário