segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

o nascimento

te digo, fabrício, há sim algo de impenetrável na mente de tal menino. junte-se ao estudo informal desta mente juvenil eboluinte. já que passou a necessidade fugaz de estudar o clima nos montes, ou nos rios, ou nas praias, mas nunca nas cidades. 

nasce de pedra, rocha, brita, da matéria mineral, o canto que te faz surgir. preciso de alguém mais duro do que eu para arrebentar muros e pontes. 


"O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou." 

(nº 41 do livro do desassosego - Fernando Pessoa)


arrebentar-te-ei, sujeito bruto, para que possas arrebentar outros com frases pontudas e resistentes e razão alguma poderá desmanchar ou impedir o impacto devastador do teu corpo sólido e concentrado de minério salgado, acumulado durante anos no fundo da terra e extraído não só por mim mas pelo peso da lembrança que temos que analisar, corrigir e esmiuçar numa mesa de concreto, ferro, aço. fazer convicções ficarem pó e em/de propósito fazer barro com água de reuso, daquelas que são filtradas, mas não tão bem e são jogadas nas ruas, com a desculpa de limpeza do patrimônio. 

fabrício, nasces. fabrício mendes. me gostaria que fosse sem o "n" e seras, só por completo capricho. fabrício medes. e o "s" pode ser plural, pra mim, já não será, não és plural, és tu, diferente do sujeito irritado e multifacetado de quem vamos tratar de recuperar. fabrício mede. mede o quê? coração? alma? corpo? distância? mede luz? gostei da luz, pois não dá pra esmiuçar a luz e deste modo serias tão contrário à filosofia dos apóstrofos, mas cairia bem um apostrofo e junta a luz na medição. fabrício med'luz, me diz onde está a concentração mineral do teu nome? sulfetos, silicatos e óxidos. há mais disso com nomes mais bonitos? já basta o meu sem graça, criado pra dissipar olhares de curiosidade instantânea. não és o nióbio, para ligar partes, ser soldadura, nem ficar azulado com o tempo num ambiente exposto. estás para ser forte, inquebrável, não dando espaço para porosidades. mas ainda não sei se és pesado para que não te mexas. convicção é uma coisa, imobilidade é outra. titânio. serás titânio para que a umidade alheia não te corroa. fabrício med'luz titâ. mas ficou feio o nome, tem que ter uma combinação, quem sabe em outra língua. achei o finlandês. titaani. fabrício titaani-med'luz. meio esquisito e nada convincente. ferre-se. há de se achar um modo mais curto para chamar-te na hora da necessidade. assim nasces e te nomeio pela resistência. 

(até agora não sei de onde surgiu o fabrício, mas esse tipo de dúvidas não poderás expor, resume-te a ti mesmo, que de perguntas já bastam as minhas e as do canalha que me escreveu no mundo)

eurico louzada


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