segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vicissitudes do meu amor por você - Parágrafo segundo

não te ajudas. homem ilusório. diz lá, que braço podes esticar agora pra tocar com ânimo o ombro caído que ela possuí? esse braço que te prende à cama, como se fosse tudo sonho, onde não vives mais segredinhos infantis esparramados pelo chão? pergunta que não quer calar, frouxo: és o mesmo  antigamente que vinha à mim, reclamando sobre as queimas de fogos no ano novo, no carnaval, nos jogos de futebol e em outras datas sem nexo? ainda ficas fuçando livros curtos procurando apressadamente letras que te façam feliz? ainda ficas triste por não seres o ideal? onde você se meteu nesse projeto de vida embaraçada? 
lembro-me de uma ligação desesperada no meio de uma noite de sexta-feira: "o que eu digo, eurico?" e eu sem vontade de responder-te murmurava "sabe-se lá o que... mulher não quer que se fale o que se tem pra falar". no fundo, sabia que eu te confundia, pois dava pra ouvir seu desapontamento transmitido ao tremer rala de tua mão ao telefone, à escuta de uma certeza ou dica certeira. então desligavas o telefone sem falar adeus, na verdade dormias enquanto ouvias o som do meu teclado escrevendo e eu deixava-te ai mesmo, sem gosto. há dúvidas sim, tão complicadas quanto viver uma simples vidas, mas não há quem possa colocar palavras na tua boca para falar ou agir. és um produto de tentativa. mas onde estás? quem sabes me ligas hoje, dizendo "lhe disse isso a ela..." ai seria suspiro e você veria o meu sorriso pelo ouvido. não há nada a comentar. 

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