terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

UM - fabrício titaani-med'luz

Caro. 
Ter é caro. 
Acariciar é caro. 
Meticulosamente Caro. 
Tão caro quanto ter a vida de outros nas mãos.

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Caro, meu caro. 

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Estupidamente enxergar o que se faz a alguém

                e literalmente não poder fazer nada para mudar a situação. 

Som claro do caro preço da existência. 

--

Caro como respirar às custas da boca de alguém. 
e haja respiro para esta boca de labirinto, 
onde o ar faz um caminho confuso até chegar ao destino. 

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Claro. 
Caro. 
Caro, mais claro. 
Não há dúvida que toda possessão é cara. 

Manter é caro. 
Manter. 

Manter-se tendo, 
posse, posse, posse. 

PROPRIEDADE. 

--

Encerrar no muro do ventre.
Cadeado de braços. 
Laço de pernas. 

--

Corpo. 
Peso de um corpo. 
Preso de um corpo
Caro em um corpo. 
Corpo claro caro. 
Corpo claro, caro. 






fabrício titaani-med'luz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

o nascimento

te digo, fabrício, há sim algo de impenetrável na mente de tal menino. junte-se ao estudo informal desta mente juvenil eboluinte. já que passou a necessidade fugaz de estudar o clima nos montes, ou nos rios, ou nas praias, mas nunca nas cidades. 

nasce de pedra, rocha, brita, da matéria mineral, o canto que te faz surgir. preciso de alguém mais duro do que eu para arrebentar muros e pontes. 


"O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou." 

(nº 41 do livro do desassosego - Fernando Pessoa)


arrebentar-te-ei, sujeito bruto, para que possas arrebentar outros com frases pontudas e resistentes e razão alguma poderá desmanchar ou impedir o impacto devastador do teu corpo sólido e concentrado de minério salgado, acumulado durante anos no fundo da terra e extraído não só por mim mas pelo peso da lembrança que temos que analisar, corrigir e esmiuçar numa mesa de concreto, ferro, aço. fazer convicções ficarem pó e em/de propósito fazer barro com água de reuso, daquelas que são filtradas, mas não tão bem e são jogadas nas ruas, com a desculpa de limpeza do patrimônio. 

fabrício, nasces. fabrício mendes. me gostaria que fosse sem o "n" e seras, só por completo capricho. fabrício medes. e o "s" pode ser plural, pra mim, já não será, não és plural, és tu, diferente do sujeito irritado e multifacetado de quem vamos tratar de recuperar. fabrício mede. mede o quê? coração? alma? corpo? distância? mede luz? gostei da luz, pois não dá pra esmiuçar a luz e deste modo serias tão contrário à filosofia dos apóstrofos, mas cairia bem um apostrofo e junta a luz na medição. fabrício med'luz, me diz onde está a concentração mineral do teu nome? sulfetos, silicatos e óxidos. há mais disso com nomes mais bonitos? já basta o meu sem graça, criado pra dissipar olhares de curiosidade instantânea. não és o nióbio, para ligar partes, ser soldadura, nem ficar azulado com o tempo num ambiente exposto. estás para ser forte, inquebrável, não dando espaço para porosidades. mas ainda não sei se és pesado para que não te mexas. convicção é uma coisa, imobilidade é outra. titânio. serás titânio para que a umidade alheia não te corroa. fabrício med'luz titâ. mas ficou feio o nome, tem que ter uma combinação, quem sabe em outra língua. achei o finlandês. titaani. fabrício titaani-med'luz. meio esquisito e nada convincente. ferre-se. há de se achar um modo mais curto para chamar-te na hora da necessidade. assim nasces e te nomeio pela resistência. 

(até agora não sei de onde surgiu o fabrício, mas esse tipo de dúvidas não poderás expor, resume-te a ti mesmo, que de perguntas já bastam as minhas e as do canalha que me escreveu no mundo)

eurico louzada


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre um pouco de música no cotidiano



Impressionante é me ver mergulhado na tinta fresca do dizer "oi" e no dizer "adeus" ao mesmo tempo. Me sinto em desvantagem para com a vida. Vejo a felicidade se espalhando em músicas de sucesso temporário, satisfazendo ouvidos temporários, sendo algo promovido para a temporalidade e acho bonito ver que as pessoas podem ser um pouco mais felizes ouvindo temporariamente essas músicas. O que me preocupa é que depois vem uma depressão pós-música... "escutar o temporário para que ele se torne um pouco permanente"... Aí, sem querer, o que era pra ser somente uma música temporária, torna-se uma coceira permanente, chaga intelectual. Mas que músicas eu encaixaria nisso, já que a opinião sempre muda e mudam-se os dias e tudo pode parecer hora enfadonho hora interessante? playlist que tenho escutado pode revelar algumas coisas interessantes, se for pegar uma lista das 25 mais escutadas que o itunes me revela, a surpresa pode ser boa ou ruim. à partir desse levantamento ou diagnóstico, se pode muito bem fazer uma avaliação sonora de intelectualidade. "Takedown" da banda Yellowcard se apresenta em primeiro lugar, mas não há nada demais, já que para os cults de plantão a música é para adolescentes e o é mesmo, já que fala de modo meio que insosso. (Don't turn your back on me now / You can't do this / Don't say you can live without / You can't do this alone / How did I end up like this, the lonely one / Your greatest takedown / You take me down). 



Talvez de modo quase invisível sou atraído pela intensidade da voz e a bateria, já que o ritmo realmente me coloca numa "agonia consciente". Mas logo em segundo lugar se encontra o remix do Myon & Shane da música "Promises" da artista Andain. Bom a sequência continua com temas variados, incluindo a banda Future Os Forestry e várias da banda de Rock My Morning jacket, principalmente do disco "Evil Urges" especialmente da música "Smokin from Shootin", Bob Acri com seu Piano está na sequência com a música "Sleep Away" que pelo que me lembro, escutei umas 15 vezes num dia somente, pois eu precisa dormir de olhos abertos. Mas existe a música tímida do Justin Vernom, lá no fim da lista, com uma letra interessante e um violão tão simples como um suspiro apático e friorento. A música "Nothing better than a Journey to you" (from the moment the arms of the midwestern / skybroke down to the pavement / in a vehicle ragged returning / nervously brave, making my way to you / heaters have broken, it's cold every day / in the mysteries at the top of my mind / I've never reached an answer, I'm only given clues / nothing better than a journey to you).
E no final de citar essas coisas, vejo que me perco em músicas inúteis, enquanto termino uma tabela ou espero o dinheiro cair na conta bancária para que eu consiga ao menos almoçar. Mas essa necessidade de alguma melodia no cotidiano, não é um fato que se possa desprezar, mesmo apesar da loucura de não querer fazer mais nada e viver ouvindo e procurando mais e mais músicas. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vicissitudes do meu amor por você - Parágrafo segundo

não te ajudas. homem ilusório. diz lá, que braço podes esticar agora pra tocar com ânimo o ombro caído que ela possuí? esse braço que te prende à cama, como se fosse tudo sonho, onde não vives mais segredinhos infantis esparramados pelo chão? pergunta que não quer calar, frouxo: és o mesmo  antigamente que vinha à mim, reclamando sobre as queimas de fogos no ano novo, no carnaval, nos jogos de futebol e em outras datas sem nexo? ainda ficas fuçando livros curtos procurando apressadamente letras que te façam feliz? ainda ficas triste por não seres o ideal? onde você se meteu nesse projeto de vida embaraçada? 
lembro-me de uma ligação desesperada no meio de uma noite de sexta-feira: "o que eu digo, eurico?" e eu sem vontade de responder-te murmurava "sabe-se lá o que... mulher não quer que se fale o que se tem pra falar". no fundo, sabia que eu te confundia, pois dava pra ouvir seu desapontamento transmitido ao tremer rala de tua mão ao telefone, à escuta de uma certeza ou dica certeira. então desligavas o telefone sem falar adeus, na verdade dormias enquanto ouvias o som do meu teclado escrevendo e eu deixava-te ai mesmo, sem gosto. há dúvidas sim, tão complicadas quanto viver uma simples vidas, mas não há quem possa colocar palavras na tua boca para falar ou agir. és um produto de tentativa. mas onde estás? quem sabes me ligas hoje, dizendo "lhe disse isso a ela..." ai seria suspiro e você veria o meu sorriso pelo ouvido. não há nada a comentar. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mais um nascimento

Sendo assim, é de mal uso encontrar um nome para um novo sujeito, já que o novo sujeito não existe, mas como se fosse uma experiência continental ao centro da alma, há uma necessidade de achar um nome suspenso ou largado nos recôncavos da alma.  Então esbarrei com nomes já conhecidos para falar sobre coisas que se renovam, esses incontáveis assuntos, eu poderia até pegar uma lista de nomes interessantes, para já logo sanar essa vontade epopeica de se(r) ter um nome para quem escreverá ou o que será escrito, mesmo que difusamente, mas logo aparecerá e aparecerá como mais uma das incontáveis facetas que sinto surgir do ventre, filhos dos meus sonhos, das minhas lembranças fraturadas, fracionadas, como devem ser. 

Cada criatura surge da soma de experiências e pessoas que me atingem e permeiam em mim, seja no sentido correto do relacionamento ou no sentido prejudicial da entrega a alguém. Seres humanos produzem a mistura mágica de cicatrizes, sorrisos, caminhadas, cartas e conversas murmuradas pelos olhos. Se produz esse licor mutante de sabor indescritível, bebido não em copos mas nas próprias mãos, deixando alguma parte escorrer, inundar os pequenos vales, fendas, a ruga da idade e atividade, do trabalho braçal, da vivença. Esse liquido hora cremoso, denso, rubi, escarlate, hora suave, claro, é o que gera em mim a necessidade de escrever utilizando nomes que não conheço, nem vi e esperar nascer a semente que me fará estudar um personagem alheio, que no fundo sou eu em reflexo e reflexão. E então escrever e escrever em músicas, teatros, diálogos internos e rascunhos de prédios e casas, nas sombras de uma árvore plantada em favela ou parque, em linhas curvas de vento e pontos enfiados no papel pela ponta de uma caneta e invadir para quem se escreve, mesmo que não se leia o texto, mas em vontade, desejo, como se o texto fosse o ar que na hora é respirado, enquanto os olhos correm em letras e desenhos e traçam um trajeto a um destino indefinido nos céus da alma, em meio a névoa do ontem e o nascimento do sol do amanhã. E se quem lê sentisse o desejo do personagem nascido, posto em pé, ereto em sua responsabilidade de emprestar sua identidade turva, se ouvisse o que o personagem fala ou faz, ou respira ou come, erra e acerta, ou nem precisa sentir, mas quem observasse, com seus próprios olhos que existe tanto personagem para que vivamos e entreguemos aos outros aos pulos ou aos arrastos, nascerão então muitos mais filhos postiços e encarnados, outros que vão entregar a coleção de imagens da alma coletiva que tenho, somada em outros textos que não são meus, em outras coisas que não são só minhas, mas que aos poucos me pertencem e pertencem a você, mesmo que não percebamos isso. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VERSÍCULO CANTADO

Este projeto simples tem como objetivo cantar versículos inteiros, por isso nome é VERSÍCULO CANTADO. Não são gravações complicadas, pelo contrário, é tudo simples, no cotidiano, no sincero, no essencial. A ideia surgiu quando mostrei o versículo a alguns amigos e nesse mesmo dia surgiu-me a ideia de canta-la, somente para a letra reverberar mais. Então, cada versículo é um projeto, que pode ter várias versões... A, B ou C o que seria legal, o mesmo versículo sendo musicado de diferentes formas... 
Quem sabe o pessoal começa a ver a Bíblia com outra ótica, com uma leveza...



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Esta é a minha história.








Do nada me pediram para contar "a minha história", como se ela fosse de certo modo interessante ou se ela tivesse alguma coisa "extraordinária", a não ser minhas "íntimas" revelações de ódios e desfavores, de espinhos da carne ou espinhos da imaginação...
Foi bom poder falar da arte como eu vejo, sendo ela esse peso desmensurável, esse prazer coeso, um constante estudo disto que chamados de vida. 
A minha história ainda é escrita, como uma folha em branco, entregue a mim por Deus e sou eu que decido o que fazer com ela e repito novamente o que disse, não sou totalmente dependente dEle e é nisso que eu trabalho, uma total entrega, mesmo que isso me custe as vontades interiores, os sonos de madrugada, as febres e inconstâncias de ideais e sonhos. A arte me faz ver que sou ainda humano, apesar do sufoco de saber que minha juventude é gasta muitas vezes em egoísmo, em satisfazer vontades irrisórias, não que a vontade não tenha valor, é ai o ponto, a vontade pode ser algo encaminhado para me fazer sentir bem e não me trazer um sentimento de nojo e desprezo pelo mundo. A minha vontade pode ser fracionada, dispersa e pode ser arte, arte vinda dos céus (aqui se escuta uma negra bem grande cantando "OHHHHH!!!!") uma linguagem de mostrar aos outros que ainda tenho algum sentido, mesmo que imperfeito. 
Isso é ser igreja, sem placa, tapete ou lençol de dança. Isso é ser mais do que se pode ser. Talvez tenho essa motivação de não viver em facetas, como se fosse um octaedro (Cortázar que o diga, tem até um livro dele com esse nome) e entenda-se motivação, não como uma palavra base para livro de auto-ajuda, mas sim como uma prerrogativa para não mais escorregar em merda ou casca de banana alheia (?). 
E como botar a cara à tapa, para que as razões do mundo possam golpear minha infeliz razão de ser ? Isto é que pode ser uma igreja humana... o assunto é fresco então o texto não pode ser completo.  


P.S. Igreja Batista Maanaim me acolheu com o meu violãozinho, com esfiha, guaraná e altos papos sobre calvinismo, calvície, música contemporânea e risadas literárias ou não. Foi bom estar numa igreja e me sentir num boteco, à vontade. 


-Fotos da Juliana Ravagnani

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

vicissitudes do meu amor por você - Parágrafo Primeiro

como eu poderia te ajudar? somas melaninas na pele do coração, pelo nos lábios, nascem-te outros joelhos, dobras-te demais. és tão articulado quanto um texto de jornalista ferrenho, não do estado nem da época, mas de qualquer outro artigo jornalesco que até se torna putresco. liquidificas aquilo que não pode entrar em saldão  ou em promoção quinzenal, mensal, semestral, anual. passa inverno, deita chuva, sobe a chuva em vapor, vai pro mar, pro rio, pra's bocas, gargantas, ainda continuas tão articulado, cabendo em todo lugar, em qualquer metro quadrado, em cada espaço linear, és quase dois planos e a profundidade em ti está quase sumindo.  escalas estas paredes de assombros, como se fosses um quadro e não mais uma escultura sepulcral do brecheret, nem ao menos és esférico como as mulheres do botero, não mudas de direção, és apenas articulado. onde te colocam, te forçam, te espremes, ali ficas, tomando parte, sendo aquilo. articulado.  levemente imparcial, uma tarefa que nunca se executa por falta de ser uma tarefa exequível. enfiado em qualquer errônea gramática, nas sombras de versos imorais que falam sobre a vida cheia de paz, inerte a qualquer mal contemporâneo. mas sobra-te a tua língua articulada, que te fere como navalha quando queres sentir apenas algum tipo de sensação para as coisas. no final de cada saída tua imposta pelo exterior, te pergunto sempre com meu faro medicinal: como eu poderia te ajudar?

Eurico Louzada

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

insulto e insolência

ouvindo siga do joão gilberto e ver que ele nesse compasso lento de repreensão, "das estradas e do tempo, cansei...", seguro, com sua voz de profundeza, de porão, quase tão intimista quanto um sutiã ou uma cueca, ele canta e discorre na tarde uma áurea necessária para que eu me sinta necessário, hoje, agora, neste momento em que escrevo com os olhos presos nesta tela iluminada, sem olhar no teclado, revezando letras com os goles curtos de água e do lado do computador, o caderno escrito quadro, de milão, com valor de dois euros e meio, mas que não é meu e nunca será, assim como qualquer outro texto, assim como a estação  tiburtina, assim como o palácio de cristal, o douro, a sé de évora, o pedaço tímido de terra na praça almeida prado, nem algum paragrafo qualquer do rayuela do cortázar, nem a imagem que obtive de ti, sentada, repousada, com olhos grandes encaixados num rosto esguio, que apesar de caracóis vivos atrapalhando a fronte era um zoológico barulhento de ideias e sorrisos que pareciam fogos de artificio de final de ano, ou um jardim pequeno de alguma casa de santarém, recluído de maldade e assombração, mas ao mesmo tempo uma sopa de maldade e insulto, pois alta, ela olhava por cima de ombros curtos e resumi que é insolente em não dar o lábio a torcer a um outro homem qualquer de braços curtos e coração fundo, tronco largo e cegueira parcial, pois só sabe olhar pra trás e sendo assim, ainda toca gilberto "e sem ter razão me fez chorar de dor..." mas se escuta como se fosse "tu quieres volver y no te veo mas" na voz da sarah brightman, dentro de uma capela, escura e vitrais mais foscos que o normal

louzada

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

já é treze

não saí de casa.
hoje à tarde dormi.
jantei pouco.
me reuni.
nada demais.
é sempre o mesmo ponto,
e o espaço.

não sou eu essa síncope que desejo.
não largo desse vício de realidade.

dois pares de olhos.
o feto e o ventre.
lágrimas que se derramaram na poltrona azul.
nasci com esse impeto de ser mais do que se deve.

calma.
ainda é dia.
ainda é verso.
o inverso do que escrevem os outros.
analises míopes.
conjecturas saturadas.
ideias queimadas.

mesmo sendo treze esta sexta,
digo que quase desmanchei ontem.
não em álcool, porfia, ou fumo.
quase cai dentro de mim.
por sorte, ainda existe a lembrança da inocência.