quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CINCO - fabrício titaani-med'luz

Coloque-se à frente. 
De frente. 
Escudo deitado (se houver), 
se puder queime-o. 


Impacto de frente, 
na velocidade alta de um combo


                                     Pá!


Sinta que se quebra o interior, 
que se quebram as estruturas. 


Desmorona-se para dentro. 


--


Estar disposto ao soco da realidade.
Ao exército infalível do cotidiano. 


--


GOLPE


--


Não há medo de se estar deitado, 
prostrado em frente ao batalhão, 
que escuta o último arfar decadente do pulmão. 


--


Guerra vencida, 
é vitória efêmera. 


Talvez, quem perde, 
lembra por mais tempo. 




fabrício titaani-med'luz

domingo, 26 de fevereiro de 2012

QUATRO - fabrício titaani-med'luz

Vários.
Legião.
Plurais.

Aos montes,
pelos montes,
numa descida desenfreada,
até chegar ao vale.

Somente.
Só, somente,
empunhando um caderno e um lápiz,
pra fazer passar a hora em letras.

RÁPIDO

Escreve antes de ser embrulhado,
empacotado pela avalanche dos desejos.
Escrever antes de ficar imóvel,
abaixo da massa da vontade.

--

Treinado

--

As manchas da vida,
já mancharam tanto,
que a(s) mancha(s) se tornou a cor.

--

Soterrado.
Encerrado no seio da terra.

Não é morrer...
É somente enterrar-se sem querer.

Só-terrado.
In-ser-errado no peito da tenra (mulher).

Não é morder..
é só em mente inteirar-se sem querer ser.

--

Rosto, terra.
Em terra.
Terra.
Enterrado.

--

Envolvimento.
Em "volver".
Invólucro.
"não abra aqui".

Continue envolvendo-o, Mulher Terra.


fabrício titaani-med'luz


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

TRÊS - fabrício titaani-med'luz

Culpe o vento.
Culpe-o, desgracioso.
Esse bafo de vento que bate na alma.

Culpe esse lugar arrojado.
Culpe o ar rajado.
Maldita ventilação cruzada,
que mais despenteia o cabelo do que refrigera a casa.

                                  Mas lembre de culpar-se,
                                  pois foi você que abriu a janela.


Abrir a janela,
e esquecer a porta aberta.

--

Corrente.
Cor quente.
Concorrente.

--

E no final quem tem olhos pra te ver?
E no final quem te enxerga feito você?
Quem, no final, enxerga você feito?
Feito você, quem enxerga no final?

--

Em caso de casa, solidão.
Em coisa de casa, acomodação.

Tanta mentira jogada ao lixo,
para que seja verdade o que se sofre nos olhos.

Tanto sofá que corre o risco de acoplar-se.
Constante abraço na almofada.

Berço de retorno.

RETORNO.

Com ele a pluralidade da peçonha realidade.
Se ver correndo pelo próprio retrovisor,
atrás de si:

Assaltando-se.


fabrício titaani-med'luz






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DOIS - fabrício titaani-med'luz

A escrita-luz,
em meio da escuridão.

Sussurro de ventos noturnos,
o lençol em umidade relativa.

Se faz o frio e se produz o quente.

--

Suspiro-sussurro.
Não é trocadilho,
é realidade.

"SuS",
Posto medicinal para almas que precisam de "ar".

"sus"-pender.
Não é levitar.
É ser suspendido.

--

Um relógio mental que para.
Fecha-se o tempo na bateria murcha.
Oh, querido zygmunt,
líquido tempo que deixei escorrer.

O risco da memória.
O risco na memória.
A memória em risco.
Em risco, a memória guardou-se em sí

PROTEÇÃO.

--

Por-ter-agido,
Protegido.

--

Lume, à noite.
Branco e preto.
Desenhar tantas ondas na escuridão,
para fazer um mar onde se é somente "interior".

fabrício titaani-med'luz

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

UM - fabrício titaani-med'luz

Caro. 
Ter é caro. 
Acariciar é caro. 
Meticulosamente Caro. 
Tão caro quanto ter a vida de outros nas mãos.

--

Caro, meu caro. 

--

Estupidamente enxergar o que se faz a alguém

                e literalmente não poder fazer nada para mudar a situação. 

Som claro do caro preço da existência. 

--

Caro como respirar às custas da boca de alguém. 
e haja respiro para esta boca de labirinto, 
onde o ar faz um caminho confuso até chegar ao destino. 

--

Claro. 
Caro. 
Caro, mais claro. 
Não há dúvida que toda possessão é cara. 

Manter é caro. 
Manter. 

Manter-se tendo, 
posse, posse, posse. 

PROPRIEDADE. 

--

Encerrar no muro do ventre.
Cadeado de braços. 
Laço de pernas. 

--

Corpo. 
Peso de um corpo. 
Preso de um corpo
Caro em um corpo. 
Corpo claro caro. 
Corpo claro, caro. 






fabrício titaani-med'luz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

o nascimento

te digo, fabrício, há sim algo de impenetrável na mente de tal menino. junte-se ao estudo informal desta mente juvenil eboluinte. já que passou a necessidade fugaz de estudar o clima nos montes, ou nos rios, ou nas praias, mas nunca nas cidades. 

nasce de pedra, rocha, brita, da matéria mineral, o canto que te faz surgir. preciso de alguém mais duro do que eu para arrebentar muros e pontes. 


"O silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito. Estou dormindo desperto, de pé contra a vidraça, a que me encosto como a tudo. Procuro em mim que sensações são as que tenho perante este cair esfiado de água sombriamente luminosa que [se] destaca das fachadas sujas e, ainda mais, das janelas abertas. E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou." 

(nº 41 do livro do desassosego - Fernando Pessoa)


arrebentar-te-ei, sujeito bruto, para que possas arrebentar outros com frases pontudas e resistentes e razão alguma poderá desmanchar ou impedir o impacto devastador do teu corpo sólido e concentrado de minério salgado, acumulado durante anos no fundo da terra e extraído não só por mim mas pelo peso da lembrança que temos que analisar, corrigir e esmiuçar numa mesa de concreto, ferro, aço. fazer convicções ficarem pó e em/de propósito fazer barro com água de reuso, daquelas que são filtradas, mas não tão bem e são jogadas nas ruas, com a desculpa de limpeza do patrimônio. 

fabrício, nasces. fabrício mendes. me gostaria que fosse sem o "n" e seras, só por completo capricho. fabrício medes. e o "s" pode ser plural, pra mim, já não será, não és plural, és tu, diferente do sujeito irritado e multifacetado de quem vamos tratar de recuperar. fabrício mede. mede o quê? coração? alma? corpo? distância? mede luz? gostei da luz, pois não dá pra esmiuçar a luz e deste modo serias tão contrário à filosofia dos apóstrofos, mas cairia bem um apostrofo e junta a luz na medição. fabrício med'luz, me diz onde está a concentração mineral do teu nome? sulfetos, silicatos e óxidos. há mais disso com nomes mais bonitos? já basta o meu sem graça, criado pra dissipar olhares de curiosidade instantânea. não és o nióbio, para ligar partes, ser soldadura, nem ficar azulado com o tempo num ambiente exposto. estás para ser forte, inquebrável, não dando espaço para porosidades. mas ainda não sei se és pesado para que não te mexas. convicção é uma coisa, imobilidade é outra. titânio. serás titânio para que a umidade alheia não te corroa. fabrício med'luz titâ. mas ficou feio o nome, tem que ter uma combinação, quem sabe em outra língua. achei o finlandês. titaani. fabrício titaani-med'luz. meio esquisito e nada convincente. ferre-se. há de se achar um modo mais curto para chamar-te na hora da necessidade. assim nasces e te nomeio pela resistência. 

(até agora não sei de onde surgiu o fabrício, mas esse tipo de dúvidas não poderás expor, resume-te a ti mesmo, que de perguntas já bastam as minhas e as do canalha que me escreveu no mundo)

eurico louzada


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sobre um pouco de música no cotidiano



Impressionante é me ver mergulhado na tinta fresca do dizer "oi" e no dizer "adeus" ao mesmo tempo. Me sinto em desvantagem para com a vida. Vejo a felicidade se espalhando em músicas de sucesso temporário, satisfazendo ouvidos temporários, sendo algo promovido para a temporalidade e acho bonito ver que as pessoas podem ser um pouco mais felizes ouvindo temporariamente essas músicas. O que me preocupa é que depois vem uma depressão pós-música... "escutar o temporário para que ele se torne um pouco permanente"... Aí, sem querer, o que era pra ser somente uma música temporária, torna-se uma coceira permanente, chaga intelectual. Mas que músicas eu encaixaria nisso, já que a opinião sempre muda e mudam-se os dias e tudo pode parecer hora enfadonho hora interessante? playlist que tenho escutado pode revelar algumas coisas interessantes, se for pegar uma lista das 25 mais escutadas que o itunes me revela, a surpresa pode ser boa ou ruim. à partir desse levantamento ou diagnóstico, se pode muito bem fazer uma avaliação sonora de intelectualidade. "Takedown" da banda Yellowcard se apresenta em primeiro lugar, mas não há nada demais, já que para os cults de plantão a música é para adolescentes e o é mesmo, já que fala de modo meio que insosso. 


(Don't turn your back on me now / You can't do this / Don't say you can live without / You can't do this alone / How did I end up like this, the lonely one / Your greatest takedown / You take me down). 



Talvez de modo quase invisível sou atraído pela intensidade da voz e a bateria, já que o ritmo realmente me coloca numa "agonia consciente". Mas logo em segundo lugar se encontra o remix do Myon & Shane da música "Promises" da artista Andain. Bom a sequência continua com temas variados, incluindo a banda Future Os Forestry e várias da banda de Rock My Morning jacket, principalmente do disco "Evil Urges" especialmente da música "Smokin from Shootin", Bob Acri com seu Piano está na sequência com a música "Sleep Away" que pelo que me lembro, escutei umas 15 vezes num dia somente, pois eu precisa dormir de olhos abertos. Mas existe a música tímida do Justin Vernom, lá no fim da lista, com uma letra interessante e um violão tão simples como um suspiro apático e friorento. A música "Nothing better than a Journey to you" 


(from the moment the arms of the midwestern / skybroke down to the pavement / in a vehicle ragged returning / nervously brave, making my way to you / heaters have broken, it's cold every day / in the mysteries at the top of my mind / I've never reached an answer, I'm only given clues / nothing better than a journey to you).


E no final de citar essas coisas, vejo que me perco em músicas inúteis, enquanto termino uma tabela ou espero o dinheiro cair na conta bancária para que eu consiga ao menos almoçar. Mas essa necessidade de alguma melodia no cotidiano, não é um fato que se possa desprezar, mesmo apesar da loucura de não querer fazer mais nada e viver ouvindo e procurando mais e mais músicas. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

vicissitudes do meu amor por você - Parágrafo segundo

não te ajudas. homem ilusório. diz lá, que braço podes esticar agora pra tocar com ânimo o ombro caído que ela possuí? esse braço que te prende à cama, como se fosse tudo sonho, onde não vives mais segredinhos infantis esparramados pelo chão? pergunta que não quer calar, frouxo: és o mesmo  antigamente que vinha à mim, reclamando sobre as queimas de fogos no ano novo, no carnaval, nos jogos de futebol e em outras datas sem nexo? ainda ficas fuçando livros curtos procurando apressadamente letras que te façam feliz? ainda ficas triste por não seres o ideal? onde você se meteu nesse projeto de vida embaraçada? 
lembro-me de uma ligação desesperada no meio de uma noite de sexta-feira: "o que eu digo, eurico?" e eu sem vontade de responder-te murmurava "sabe-se lá o que... mulher não quer que se fale o que se tem pra falar". no fundo, sabia que eu te confundia, pois dava pra ouvir seu desapontamento transmitido ao tremer rala de tua mão ao telefone, à escuta de uma certeza ou dica certeira. então desligavas o telefone sem falar adeus, na verdade dormias enquanto ouvias o som do meu teclado escrevendo e eu deixava-te ai mesmo, sem gosto. há dúvidas sim, tão complicadas quanto viver uma simples vidas, mas não há quem possa colocar palavras na tua boca para falar ou agir. és um produto de tentativa. mas onde estás? quem sabes me ligas hoje, dizendo "lhe disse isso a ela..." ai seria suspiro e você veria o meu sorriso pelo ouvido. não há nada a comentar. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Mais um nascimento

Sendo assim, é de mal uso encontrar um nome para um novo sujeito, já que o novo sujeito não existe, mas como se fosse uma experiência continental ao centro da alma, há uma necessidade de achar um nome suspenso ou largado nos recôncavos da alma.  Então esbarrei com nomes já conhecidos para falar sobre coisas que se renovam, esses incontáveis assuntos, eu poderia até pegar uma lista de nomes interessantes, para já logo sanar essa vontade epopeica de se(r) ter um nome para quem escreverá ou o que será escrito, mesmo que difusamente, mas logo aparecerá e aparecerá como mais uma das incontáveis facetas que sinto surgir do ventre, filhos dos meus sonhos, das minhas lembranças fraturadas, fracionadas, como devem ser. 

Cada criatura surge da soma de experiências e pessoas que me atingem e permeiam em mim, seja no sentido correto do relacionamento ou no sentido prejudicial da entrega a alguém. Seres humanos produzem a mistura mágica de cicatrizes, sorrisos, caminhadas, cartas e conversas murmuradas pelos olhos. Se produz esse licor mutante de sabor indescritível, bebido não em copos mas nas próprias mãos, deixando alguma parte escorrer, inundar os pequenos vales, fendas, a ruga da idade e atividade, do trabalho braçal, da vivença. Esse liquido hora cremoso, denso, rubi, escarlate, hora suave, claro, é o que gera em mim a necessidade de escrever utilizando nomes que não conheço, nem vi e esperar nascer a semente que me fará estudar um personagem alheio, que no fundo sou eu em reflexo e reflexão. E então escrever e escrever em músicas, teatros, diálogos internos e rascunhos de prédios e casas, nas sombras de uma árvore plantada em favela ou parque, em linhas curvas de vento e pontos enfiados no papel pela ponta de uma caneta e invadir para quem se escreve, mesmo que não se leia o texto, mas em vontade, desejo, como se o texto fosse o ar que na hora é respirado, enquanto os olhos correm em letras e desenhos e traçam um trajeto a um destino indefinido nos céus da alma, em meio a névoa do ontem e o nascimento do sol do amanhã. E se quem lê sentisse o desejo do personagem nascido, posto em pé, ereto em sua responsabilidade de emprestar sua identidade turva, se ouvisse o que o personagem fala ou faz, ou respira ou come, erra e acerta, ou nem precisa sentir, mas quem observasse, com seus próprios olhos que existe tanto personagem para que vivamos e entreguemos aos outros aos pulos ou aos arrastos, nascerão então muitos mais filhos postiços e encarnados, outros que vão entregar a coleção de imagens da alma coletiva que tenho, somada em outros textos que não são meus, em outras coisas que não são só minhas, mas que aos poucos me pertencem e pertencem a você, mesmo que não percebamos isso. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

VERSÍCULO CANTADO

Este projeto simples tem como objetivo cantar versículos inteiros, por isso nome é VERSÍCULO CANTADO. Não são gravações complicadas, pelo contrário, é tudo simples, no cotidiano, no sincero, no essencial. A ideia surgiu quando mostrei o versículo a alguns amigos e nesse mesmo dia surgiu-me a ideia de canta-la, somente para a letra reverberar mais. Então, cada versículo é um projeto, que pode ter várias versões... A, B ou C o que seria legal, o mesmo versículo sendo musicado de diferentes formas... 
Quem sabe o pessoal começa a ver a Bíblia com outra ótica, com uma leveza...